Excesso de conflitos judiciais gera prejuízo para os negócios, diz juiz de Garibaldi no Bom Dia Associado

O juiz da Comarca de Garibaldi, Gérson Martins da Silva, disse, na manhã de quarta-feira, 6 de novembro, que as empresas sofrem prejuízos pelo excesso de conflitos judiciais, pela falta de uma jurisprudência uniforme e pela demora nos processos.

“Essa loteria que é um processo é ruim para os negócios de uma empresa. Ninguém sabe o resultado que vai obter quando entra com um processo. O Supremo Tribunal muda de opinião toda a hora. Nós não podemos contar com isso para a atividade empresarial, que exige agilidade e é cara”, enfatizou.

O magistrado foi o convidado da última edição de 2019 do Bom Dia Associado CIC e afirmou que existe a necessidade de mudança das formas de mediação.

Um grande público acompanhou o evento e ouviu do juiz que a Comarca tem mais de dez mil processos em andamento.

De acordo com ele, os empresários não querem mais depender do Estado e, por consequência do Judiciário, porque as suas decisões são lentas e podem levar até dez anos.

Na sua opinião, economizar tempo e dinheiro em um acordo, em muitos casos, é vantajoso para ambas as partes, sem precisar apelar para a Justiça.

Além dos prejuízos materiais, o juiz diz que um processo gera angústia e sofrimento e o resultado pode não compensar por tudo o que foi perdido naquele tempo todo de espera.

“Vocês não podem mais ficar dependendo do Judiciário do jeito que está. Sem contar a insegurança jurídica que nós temos aqui. Quando alguém entra na Justica ou faz um recurso, acende uma vela torcendo para cair em uma Câmara ou não cair em outra, porque sabe que um desembargador decide de um jeito e o outro decide de outro. Essa uniformização no Brasil é tão difícil porque os juízes não querem abrir mão da sua convicção”.

Para Martins da Silva, o Judiciário acaba sendo envolvido em conflitos que são técnicos que poderiam ser decididos por empresas especializadas e apenas confirmado pela Justiça.

“O empresário é o que mais se prejudica com a judicialização dos conflitos e é esta cultura que precisa ser mudada. Uma das alternativas é a arbitragem, por meio de contrato entre as partes, que define como será a mediação em caso de desacordo”, explicou.

Durante o café da manhã, os participantes tiveram uma ótima oportunidade para integração e troca de informação com outros empreendedores.

As empresas associadas também puderam divulgar seus serviços e produtos através de material impresso (folders, cartões de visita e outros), em espaço especial destinado pela entidade.

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