31.07.10 - "A cada R$ 2,00 pagos na conta, R$ 1,00 não tem nada a ver com energia", diz engenheiro eletricista

A Associação das Entidades Representativas da Classe Empresarial da Serra Gaúcha (CICS Serra) começou a traçar suas estratégias para tentar encontrar alternativas ao alto custo da energia elétrica pagos pelas empresas abastecidas pela RGE.
Em seu encontro mensal, realizado no dia 30 de julho, o engenheiro eletricista, Cícero Zanoni, falou sobre o impacto do preço da energia elétrica na competitividade industrial na região. O vice-presidente de Serviços da CIC, Jorge Fanti, e o diretori executivo da entidade, Luiz Carrer, participaram da reunião, realizada em Serafina Corrêa.
Na ocasião, fez um breve relato do que chamou ser a causa do problema, como os custos de transmissão, já que as grandes hidrelétricas estão no Norte e Nordeste e os maiores centros consumidores estão no Sul e Sudeste. Porém, o grande vilão é a carga tributária, que chega a 40% para clientes residenciais e 35% para industrial, sem contar os encargos, que é um dos mais altos do mundo. "Se somado os encargos, o percentual passa de 50%. Ou seja, a cada R$ 2,00 pagos na conta, R$ 1,00 não tem nada a ver com energia, são apenas impostos e encargos", destacou Zanoni.
Ele fez questão de lembrar, no entanto, que não há nada de ilegal com o valores praticados pela RGE, muito menos da concessionária possuir tarifas superiores as das outras que abastecem o Rio Grande do Sul. "Mas como energia elétrica é um insumo fundamental, deve ser pensada como um assunto estratégico, já que ainda é insubstituível", enfatizou.
O engenheiro propôs um estudo para verificar o real custo final da energia na produção industrial. "Precisamos desenvolver um programa de eficiência energética, baseado nas premissas da Aneel, que reduza os custos operacionais".
Zanoni também disse que os custos com energia ainda irão crescer, com previsão 17% de aumento nas tarifas industriais até 2014, com perda potencial no PIB de 0,93% ao ano, caso haja crescimento da demanda maior que os 5,8% esperados. "Ainda não temos o impacto da crise do ano passado, nem das obras que serão feitas até a Copa, além de que entre 2014 e 2017 estarão vencendo os contratos de concessão de geradoras e transmissoras de energia no Brasil".



